domingo, 29 de julho de 2018

A Espiritualidade cuida de nós, por Eloy Augusto

A última experiência vivida ontem (dia 28/07/2018) me trouxe profundas reflexões a qual compartilho com todos na forma desse singelo texto, a qual, aproveitando a inspiração da madrugada, reproduzo as seguintes ideias...

A Espiritualidade sempre cuida de nós!
De maneira constante estamos sendo amparados e guiados em nossa evolução espiritual por forças invisíveis aos nossos olhos humanos e mesmo naqueles momentos em que a crise nos visita, acredite, nada está fora do controle divino.
Em minhas orações diárias eu sempre peço “Senhor meu Deus, que seja feito o melhor para mim, que seja feita a Tua vontade na minha vida” e repetir essas palavras é trazer o meu livre-arbítrio de encontro à essa vontade celeste, porque às vezes achamos que sabemos o que é melhor para nós, quando, na verdade, quem realmente sabe é Deus, é Ele que está no leme de nossas vidas!
Nossos tropeços servem para nos tornarmos mais fortes diante de futuras experiências e de futuras adversidades porque, mesmo com todo o sofrimento que resulta das dificuldades que enfrentamos, estamos sendo lapidados.
Escrevendo esse texto me recordo de um momento, em 2012, quando eu estava em Itanhaém e profundamente triste por falta de um relacionamento amoroso. Perdido em pensamentos negativos, pude recepcionar o pensamento do amigo espiritual, o baiano Zé Pescador, que me dissera que “uma joia perde seu valor quando passa em muitas mãos e você é uma joia preciosa, meu filho” e depois vim a entender que toda joia precisa ser lapidada e que às vezes não temos como nos furtar ao sofrimento, que significa lapidação, mas nunca desamparo da Espiritualidade.
Muitas vezes nós deixamos de acreditar na vida e ficamos repetindo padrões negativos de pensamento e de comportamento – quando reclamamos de tudo e de todos, quando encaramos as experiências da vida com o amargo da mágoa e do ódio, quando nos prendemos às recordações do passado, quando somos injustiçados e desejamos a desgraça na vida do outro, quando as coisas não estão dando certo e nos revoltamos, quando a tristeza toma conta da nossa mente e, ao invés de buscarmos enxergar a alegria de viver e sermos gratos pelo que temos, nos afundamos ainda mais no negativo.
Recentemente, quando em conversa com uma amiga, o Exu Tranca Ruas me inspirara a dizer a ela “cuidado para não ser arrastada para o abismo do outro” e a frase desse Exu é muito significativa!
Muitas vezes nós não percebemos mas estamos reproduzindo padrões negativos que não são nossos, mas, inteiramente pertencentes ao outro.
Mas por que reproduzimos esses padrões?
São várias as razões, dentre elas: quando convivemos com uma pessoa acabamos por assimilar algo do seu jeito de ser, mas, também, em nosso processo de crescimento, desde a infância, assimilamos o comportamento de nossos familiares, reproduzindo vários padrões que não condizem com o nosso Self, com a nossa essência-individualidade, a qual, a partir de certa idade e de certo grau de consciência e maturidade, passamos a buscar.
A Espiritualidade cuida de nós, mas não nos furta da responsabilidade de zelarmos pelo nosso equilíbrio mental e emocional, pela nossa saúde física, espiritual e psicológica, a qual sempre depende de cada um de nós e é um reflexo direto dos pensamentos que alimentamos.
A força do Pensamento é explicada nas várias tradições religiosas de todo o planeta e a própria ciência e a física quântica hoje reproduzem esse saber milenar.
Portanto, se você quer que as coisas melhorem na sua vida, mude os seus padrões de pensar e de sentir; tenha coragem para acreditar em si mesmo e na vida, no que é bom e no que faz bem!
Rompa o negativismo e o pessimismo! Elimine as ideias castradoras, limitadoras e destrutivas, porque fomos criados por Deus para sermos felizes! Mas, mesmo que essa felicidade não caia do céu, compete a cada um de nós, que vivemos essa experiência transitória na matéria, buscar pela própria felicidade!

ELOY AUGUSTO.
SP. 29/07/2018.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Pai-de-santo na Umbanda e no Candomblé? por Eloy Augusto



Já não é de hoje, ou melhor, desde o começo da Umbanda que isso vem ocorrendo. É certo que antigamente havia uma maior distinção entre os adeptos, entre ser espírita, ser candomblecista e ser umbandista, apesar da confusão popular entre as três religiões, naquilo que Ramatís chama de “práticas mágicas populares”.
Não pretendo com esse texto demonstrar senão a minha própria experiência e vivência nas religiões que citei – válida, portanto, apenas e tão somente como uma reflexão de fé, opinião e entendimento pessoais meus.
Muitas pessoas que hoje são iniciadas no Candomblé começaram as suas atividades religiosas no Espiritismo e na Umbanda (como eu mesmo), e mesmo após sua “feitura de santo” continuaram “tocando a Umbanda”, o que quer dizer: realizando as giras com atendimentos espirituais com os pretos velhos, exus, caboclos, marinheiros, boiadeiros, ciganos, dentre outros Espíritos.
Existe muito sectarismo a fim de se fazer distinção entre ambos os adeptos, porque – e isso não posso negar – existe muito preconceito velado dos nossos irmãos do Candomblé para com a Umbanda, por se considerarem superiores por serem de uma religião mais antiga e tradicional, não aceitando a interpretação umbandista sobre os Orixás; assim como há umbandistas que desdenham das religiões afro-brasileiras e suas manifestações, considerando-se superiores por não se utilizarem de ritos que julgam atrasados (como o sacrifício de animais – que, além da função religiosa, alimenta toda uma comunidade) e isso sem falar do preconceito interno e a disputa de poder por causa das várias “vertentes” que existem dentro do próprio movimento umbandista.
Porém existe muitas pessoas boas, sérias e comprometidas nas duas bandas e entre as duas bandas – a qual são, justamente, aqueles que se afinizam com o Culto aos Orixás da forma do Candomblé, mas que preservam a sua fé e os ritos da Umbanda.
Nada impede uma pessoa de praticar as duas formas de rito – desde que preservando a identidade religiosa de ambos e nesse ponto há que se ter muitos cuidados para não desrespeitar as duas ancestralidades envolvidas. É certo que muitos terreiros de Candomblé fazem os seus “toques” para os Guias da Umbanda e não vejo nisso nenhum mal, pois o preto velho ou o caboclo que atende num templo umbandista “puro” (ou seja, que não tem nenhuma ligação com a religião afro-brasileira¹) também “baixa” nos terreiros candomblecistas, trazendo as suas palavras de consolo, a sua defumação, os seus benzimentos e praticar sua caridade; tanto quanto o Orixá que se manifesta nos filhos-de-santo candomblecista são os mesmos que nos visitam os terreiros de Umbanda, manifestando (mesmo que de forma diferente na sua expressão mediúnica) nos filhos-de-fé e mobilizando grandes cargas de energias benfeitoras, de limpeza e cura, em comunhão com os espíritos da natureza (elementais – gnomos, silfos, ondinas, salamandras, etc).
Conheço indivíduos sérios que trabalham na Umbanda (inclusive sendo dirigentes de terreiro) e que são, por exemplo, iniciados no Culto Tradicional Yorubá – Culto de Orunmilá-Ifá, assim como conheço indivíduos que são “ortodoxa e puramente” umbandistas e são pessoas más, sem índole moral... Isso tem a ver com a índole da pessoa e não com a fé abraçada.
Uma coisa não exclui e não diminui a outra, porque, quando digo de preservar a identidade religiosa de ambos me refiro a fazer cada coisa no seu lugar correto, na sua hora correta, sem “misturar”, digamos, as duas expressões rito-litúrgicas. Há muitos terreiros que “tocam” as duas bandas e são terreiros sérios, bons, comprometidos com o bem nas duas formas religiosas que abraçaram...
No caso de um indivíduo que tem seu compromisso mediúnico de trabalho com a Umbanda, poderá, no meu ver, ter o seu pai-de-santo na Umbanda, que lhe orientará e lhe auxiliará em sua jornada espiritual dentro desse caminho de fé, tanto quanto o iniciado no Candomblé contará com o auxílio do seu Babalorixá ou de sua Iyalorixá naquilo que precisa cumprir nessa fé.
E se esse indivíduo tem um compromisso espiritual com as duas religiões naturalmente que será guiado por dois sacerdotes distintos a lhe orientar sem que isso seja algo negativo ou conflitante.
Essa estória de “você tem que escolher aqui ou lá” comigo nunca deu certo, me causando mesmo durante alguns anos uma verdadeira crise de consciência e de fé, mas precisamos entender e respeitar os dirigentes e as casas que tem como regra que o indivíduo apenas exerça sua mediunidade e sua jornada espiritual naquele lugar; podemos até não concordar, o que é nosso direito, mas seria bom buscar o entendimento dos motivos disto, refletir, tentar entender o lado de quem pensa assim, e entender que não temos como generalizar, cada caso é um caso.
Durante alguns anos eu pensei que a Umbanda e o Candomblé não poderiam se tocar juntos e isso me causava um desconforto enorme, uma crise de fé tremenda, porque eu já era iniciado no Candomblé nessa época, mas também trabalhava com os meus Guias da Umbanda em um centro espírita e eu interpretava erradamente aquela passagem do “seguir a Deus e a Mamon”, graças ao preconceito interno que eu trazia e em parte graças ao preconceito de outros trabalhadores espíritas da época que me diziam que eu deveria me decidir e não transitar entre as duas fés.
Hoje já tenho uma visão leve, universalista, com liberdade de pensamento e de fé, sem a intenção de colocar um ponto final ou um julgamento decisivo nas várias expressões de fé que existem e que eu amo (como as três religiões que mais fazem parte da minha vida – o Espiritismo, o Candomblé e a Umbanda; assim como me tenho afinidade expressa com o Budismo, com o Hinduísmo e com o Hare Krishna), entendendo que cada um tem uma caminhada peculiar e que devemos sempre, em todo caso, respeitar as necessidades espirituais, conscienciais e evolutivas de cada indivíduo, guardando, das experiências religiosas que passamos na vida, o aprendizado necessário que nos leve a Deus e que nos torne alguém melhor.

ELOY AUGUSTO.
SP. 29/06/2018.
¹Ou pensa não ter, porque, se há a presença dos Orixás é graças ao Candomblé; se há termos yorubás ou quimbundos, é graças aos negros de Ketu e de Angola, que cultuam os Orixás e Inkinces; ou será que quem pensa assim se esquece que os pretos e pretas velhas da Umbanda também foram iniciados às Forças da Natureza?

terça-feira, 26 de junho de 2018

Influência moral do médium


            Todas as imperfeições morais são portas abertas aos Espíritos maus, mas a que eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é essa a que menos a gente se confessa a si mesmo. O orgulho tem posto a perder numerosos médiuns dotados das mais belas faculdades, que, sem ele, seriam instrumentos excelentes e muito úteis.
            Tornando-se presa de Espíritos mentirosos, suas faculdades foram primeiramente pervertidas, depois aniquiladas, e diversos se viram humilhados pelas mais amargas decepções.
            O orgulho se manifesta, nos médiuns, por sinais inequívocos, para os quais é necessário chamar a atenção, porque é ele um dos elementos que mais devem despertar a desconfiança sobre a veracidade das suas comunicações. Começa por uma confiança cega na superioridade das comunicações recebidas e na infalibilidade do Espírito que as transmite. Disso resulta um certo desdém por tudo o que não procede deles, que julgam possuir o privilégio da verdade.
            O prestígio dos grandes nomes com que se enfeitam os Espíritos que se dizem seus protetores os deslumbra. E como o seu amor próprio sofreria se tivessem de se confessar enganados, repelem toda espécie de conselhos e até mesmo os evitam, afastando-se dos amigos e de quem quer que lhes possam abrir os olhos. Se concordarem em ouvir essas pessoas, não dão nenhuma importância às suas advertências, porque duvidar da superioridade do Espírito que os guia seria quase uma profanação.
            Chocam-se com a menor discordância, com a mais leve observação crítica, e chegam às vezes a odiar até mesmo as pessoas que lhes prestam serviços.
            Favorecendo esse isolamento provocado pelos Espíritos que não querem ter contraditores esses mesmos Espíritos tudo fazem para os entreter nas suas ilusões, levando-os ingenuamente a considerar os maiores absurdos como coisas sublimes.
            Assim: confiança absoluta na superioridade das comunicações obtidas, desprezo pelas que não vierem por seu intermédio, consideração irrefletida pelos grandes nomes, rejeição de conselhos, repulsa a qualquer crítica, afastamento dos que podem dar opiniões desinteressadas, confiança na própria habilidade apesar da falta de experiência – são essas as características dos médiuns orgulhos.
            Necessário lembrar ainda que o orgulho é quase sempre excitado no médium pelos que dele se servem. Se possui faculdades um pouco além do comum, é procurado e elogiado, julgando-se indispensável e logo afetando ares de importância e desdém, quando presta o seu concurso. Já tivemos de lamentar, várias vezes, os elogios feitos a alguns médiuns, com a intenção de encorajá-los.
LIVRO DOS MÉDIUNS, CAP. 20, item 228. ALLAN KARDEC.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Benzimentos, por Ramatís


PERGUNTA: - Os tradicionais benzimentos produzem algum efeito positivo nos pacientes?
RAMATÍS: - Desde que confieis no poder do bem, é evidente que também deveis confiar no benzimento, pois este é um modo de praticá-lo! Há quem maldiz e quem abençoa; quem benze, abençoa! É tão funesto desejar o mal, como é benéfico desejar o bem; o benzedor, portanto, é a criatura que durante alguns momentos abdica de seus interesses e de sua própria comodidade, a fim de movimentar forças em favor de outrem. Portanto, descrer do benzimento é o mesmo que descrer da positividade do bem!

PERGUNTA: - O benzimento seria um ato de magia?
RAMATÍS: - Conforme diz o dicionário comum, “magia é a ciência ou arte de empregar conscientemente os poderes invisíveis para obter efeitos visíveis”. A vontade, o amor e a imaginação são poderes mágicos que todos possuem e quem os desenvolve e os emprega conscientemente é um mago!
Em consequência, o benzedor, que benze, faz simpatias ou responsos, exorcismos ou passes, é a pessoa que está mobilizando os poderes invisíveis para conseguir resultados positivos no mundo material. E como emprega tais poderes para o bem, é, também, um mago que pratica magia branca. Não importa se ele não se cerca dos apetrechos consagrados pela tradição milenária da magia. Mas é um mago popular praticando a sua magia a varejo e destinada a fins de menor importância. O benzimento é um ato de magia teúrgica¹, porque é uma arte de fazer milagres!

PERGUNTA: - Como se produz o efeito benéfico nos tradicionais benzimentos de “quebranto” das crianças?
RAMATÍS: - As criaturas que praticam o benzimento são verdadeiros transformadores vivos, pois dissolvem o fluido do mau-olhado ou da projeção mental à distância e malevolamente incrustados na aura das crianças. Elas se ajustam muito bem no conceito dinâmico recomendado por Jesus: “Quem tiver fé como um grão de mostarda, remove montanhas”.
Em face da maldade ainda predominante no mundo primário terreno pelo entrechoque dos piores sentimentos de raiva, ódio, ciúme, perversidade e orgulho, o benzedor é um “oásis” no deserto escaldante do sofrimento humano! Ele cura bicheiras, levanta quebranto, alivia epilépticos, afasta mau-olhado, acalma vermes, reza responso para descobrir aves e animais perdidos, defuma residências enfeitiçadas, limpa a aura das criaturas contaminadas com maus fluidos, expulsa o azar da vida alheia, benze eczemas e impingens, conserta espinhela e arca caída das crianças recém-nascidas, benze de inveja ou de susto, faz simpatias que derrubam verrugas ou calos!
(...) O caboclo inculto, pobre e ingênuo, prolonga a vida do próximo, enquanto as elites dominadoras do mundo povoam os cemitérios de corpos trucidados. Felizes o que se curvam ao benzimento supersticioso, que lhes ameniza a existência atribulada, do que aqueles que se subordinam ao gênio científico, que aperta um botão eletrônico e liquefaz milhares de criaturas sob o fogo desintegrador da bomba atômica!

¹ - Teúrgico (de Teurgia): s.f. Magia baseada na comunicação com os espíritos celestes.

(Livro MAGIA DE REDENÇÃO. Hercílio Maes/Ramatis. Ed. Do Conhecimento).

domingo, 24 de junho de 2018

Reencarnação no mundo espiritual, por Inácio Ferreira, parte 2


Temendo que as reminiscências daquele encontro espiritual sui-generis se escoassem da minha cabeça, como é tão comum que às pessoas suceda, saltei da cama de imediato e, pegando o material de escrita mais próximo de mim, alinhavei alguns tópicos daquela conversa tão substancial, que tanto viera acrescentar às ideias constantes do meu esforço para desenvolver, no que tange à abrangente questão do renascimento. Em meu inconsciente, eu tinha a nítida impressão de ter ficado gravado muito mais do que pudéramos expressar, eu e aquele ser, que me impregnara com a presença de seu amor e sabedoria, embora relativos:

- todas as criaturas que têm corpo, ou seja, uma forma de manifestação de sua própria essência imortal, podem gerar corpos semelhantes ao seu;

- a reprodução dos envoltórios que servem ao espírito, em todo o Universo, em sua jornada evolutiva, é Lei Natural;

- a reprodução humana, na Terra, e mesmo nos Mundos Superiores, em comparação aos processos que vigem em Esferas da Dimensão Física e Extrafísica, podem ser considerados ainda primitivos;

- o único espírito que gera espíritos é Deus;

- todos os "princípios espirituais" nascem de Deus, no sentido de que por Ele, e somente por Ele, são criados;

- os princípios da vida material, de sua menor partícula constitutiva à sua maior expressão, do micro ao macrocosmo, reproduzem-se a partir de si mesmos e renascem de si mesmos;

- a matéria, veículo de aperfeiçoamento do espírito, é aperfeiçoada por ele, à exata medida em que se aperfeiçoa;

- toda matéria, oriunda da Matéria Primordial, é, potencialmente, "grávida" no campo das formas - átomos e células se reproduzem;

- o Universo não estaria em constante expansão, caso os elementos cessassem de se multiplicar - é de se supor, pois, que o Universo nunca cesse de se expandir;

- e, por fim, a Terra não é mais do que um dos Infinitos Planos onde se nasce, morre, renasce e torna a morrer...

Em linhas essenciais, havia registrado os tópicos que o meu encontro espiritual com aquele ser me ensejava à reflexão imediata. Confesso que, desde que me tornara espírita, nunca pensara tão profundamente na questão do renascimento nos diferentes Planos da Vida, com base no axioma de que "corpo sempre gera corpo".

Trechos do livro Reencarnação no Mundo Espiritual, Cap. 20, psicografado por Carlos. A. Bacelli/Inácio Ferreira.

Reencarnação no Mundo Espiritual, por Inácio Ferreira


— Você tem corpo? - insisti.

— Enquanto não chegarmos a Deus, todos temos diversos corpos... Somente em Deus, o espírito será espírito! A imperfeição consiste tem "ganhar corpos"; a perfeição em perdê-los...

— Jesus era sem corpo?

— Ele é sem corpo!

— Diga-me...

— Pergunte, não hesite. Ou prefere que eu formule a pergunta por você?

— O espírito não procede do espírito...

— Correto! Em espírito, as criaturas, em todo o Universo, só procedem de Deus, o Espírito! Só há um Criador em toda a Criação!

— Mas é certo que o corpo procede do corpo? - indaguei, por fim.

— É óbvio, é lógico, é natural! - exclamou com ênfase.

— Vocês, então?...

— Sim - respondeu sem que eu tivesse necessidade de perguntar -, também PROCRIAMOS! O corpo, onde se situar, sempre gerará corpos - é da Lei que assim seja!

— Como?

— Pela reprodução, a Lei da Natureza para que os corpos se multipliquem, quando há necessidade.

— Quer dizer?

— Que o espírito só deixará de gerar corpos semelhantes ao seu quando alcançar a condição de espírito puro!

— Como se dá?...

— Esta é a única pergunta que não lhe poderei responder. Seria inútil!

— Acima de você, no estado em que você se me apresenta?...

— ... vivem outros em corpos mais aperfeiçoados, não obstante, PROCRIAM ENTRE SI!

— Inacreditável!

— Logo você? - perguntou-me ele, como se fosse eu mesmo a ironizar-me.

— Então, só o espírito não se reproduz? - questionei, percebendo que o meu tempo estava a se esgotar. Eu não suportaria estar na presença - permitam-me a expressão - daquela criatura por mais tempo.

— Certo!

— Não, não se vá...

— É preciso!

— Você é homem ou mulher? - perguntei sem saber o que, naquela condição, eu mesmo era. (Envergonhei-me, de imediato, da tola pergunta que fizera, porém já era tarde...)

— Os dois! - frisou sem titubeios. — Como você neste instante!

— Eu?!... Hermafrodita?!...

— Por que vocês, os homens, hão de pensar sempre em termos de sexo? A sexualidade não se prende a esta ou àquela condição sexual. Que primitivismo! O sexo é sexo daí para baixo...

E concluiu:

— Daí para baixo, não da cintura...

Diálogo entre o Espírito Inácio Ferreira (desdobrado em corpo mental) com Paramahansa Yogananda. 
No livro Reencarnação no Mundo Espiritual, Cap. 20, psicografado por Carlos. A. Bacelli.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Cavalo - Oportunidade de Ouro


"CAVALO" - OPORTUNIDADE DE OURO

Trabalho como médium de Umbanda há alguns anos e, até hoje, não me acostumo com a confusão que existe em função das entidades usarem nosso corpo. O preto velho vem, trabalha e, como é de sua característica, comove com sua doçura e candura. Aquela entidade se torna importante para as pessoas que ele atende. Torna-se o vovô dos contos de fada, que nos dá colo e carinho e, quando precisamos, sempre tem um jeitinho meigo de colocar nossos pés no chão. Aprendemos a amar. Quando percebemos, já tomou conta dos nossos corações.

O Caboclo desce com seu brado e encanta com sua beleza e sua força. Todos os respeitam por tudo que ele representa. Uma entidade em completa comunhão com a natureza e com a vida. Mostrando-nos em que seres humanos devemos nos tornar. É um espelho de como se deve agir.

A criança, com sua pureza de coração e suas brincadeiras, é a prova viva que existem sim espíritos que amam somente por amar. Fazem “arte” e alegram nossos corações com travessuras juvenis. São verdadeiros doutores, que trazem dignidade ao espírito com sua simplicidade e curam as chagas abertas em nossos corações.

O Exu, aquele que é tão polêmico entre os que não o compreendem, verdadeiro guardião, amigo leal que trabalha no cumprimento da lei de Deus. Guerreiros do astral, estão sempre olhando e intervindo por nós. São os verdadeiros anjos da guarda. Ajudam-nos no progresso e nos dão força para nos reerguermos nas quedas. Todos podem te abandonar, o mundo pode ser cruel e te tirar tudo, mas ele sempre estará ao seu lado. Amigo querido, o que seria das nossas vidas sem eles?

E são tantos outros, que provavelmente um texto viraria um livro. Malandros, baianos, boiadeiros, marujos, ciganos, orientais, etc. Cada um com sua característica, com uma história, com um carinho especial. Palavras não conseguem descrever a real participação que estes guias têm na vida de seus “filhos”.

Sabendo disso tudo, que digo que não me acostumo com a confusão que existe quando o guia vai e ficamos apenas nós, os “cavalos”. Quem dera se eu fosse uma pontinha de cada um deles. Mesmo estudando muito, presenciando atendimentos como um telespectador que somos nós médiuns, ainda hoje me surpreendo com as palavras ditas por eles. O problema é que quando o consulente, que ama aquela entidade, chega perto de você, confundindo com o guia que há alguns minutos recebeu, ele se decepciona, pois logicamente ainda temos muita estrada pela frente para chegar perto do que eles alcançaram. Por isso médiuns, que o estudo tem de ser constante e o aprendizado eterno, mas com afinco de sempre tentar mais e mais sermos pessoas melhores.

Devemos isso a esses guias que se utilizam de nós para realizar este trabalho. Devemos isso ao consulente que vai buscar consolo para suas dores em nossa casa, confiando e amando. Devemos isso a esta religião que nos acolhe de braços abertos.

O médium de Umbanda tem que estar sintonizado com os ensinamentos dos guias que ele incorpora. Não é sem motivo que seu corpo se faz templo para a passagem dessas entidades de tamanha iluminação. O médium deve ser um livro onde os ensinamentos ficam registrados e a forma de lermos todos esse saber se faz nas obras que esse médium constrói e no exemplo que ele se torna aos outros.

Ser médium não é só sentar no toco e servir de marionete. Ser médium é muito mais que isso. Quem aprende a ser um verdadeiro médium se torna um verdadeiro umbandista e um verdadeiro cristão. Ser médium não é um dever e sim uma oportunidade. Só quem é médium de verdade sabe da dádiva que é estar neste contexto. Estamos sentados no “camarote vip” da espiritualidade, bebendo a água mais cristalina nessa fonte antes de todos.

Então, meus irmãos, abracem essa oportunidade com todo amor e dedicação para que todos saibam a satisfação e a honra que é estar neste lugar privilegiado.

Por: Marco Farnezi