segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Mensagem Zarthú, por Eloy Augusto

Tantas e tantas vezes o Ser se sente perdido e sem expectativas, na busca de soluções e de respostas para as dificuldades porque passa e, prendendo-se ao problema, focando-se excessivamente no problema e entregando-se ao desespero infértil, não consegue sair das faixas inferiores dos pensamentos infelizes que superdimensionam a dificuldade em questão, aprisionando-o, temporariamente, às posturas que castram a motivação pessoal e enevoam o entendimento para soluções adequadas, por colocá-lo na fixação de ideias infelizes e desmotivadoras, que lhe podam em sua capacidade de avaliação, dado o encarceramento do pensar, repetitivamente, em padrão desequilibrador.

O pensamento, quando desorganizado neste padrão, afeta o funcionamento da vida interior do Ser, colocando-o em sintonia com todos aqueles que, desgorvenados, também encontram-se perdidos e sem expectativas, alimentando um ciclo pesaroso de impressões mentais mórbidas, nas vibrações baixas e deprimentes, a corromper o equilíbrio físico, psico-emocional e energético, pela troca de energias (pensamentos, sentimentos, sensações) desequilibradores, de onde as questões mal resolvidas do Ser passam a se agigantar, fazendo romper do inconsciente as psicopatologias variadas, em estados de constante desânimo, culpa, remorso, apego ao passado, medo do futuro, prostração perante o presente, tristeza, pânico, ansiedade...

Nos casos em que instalam-se esses padrões mórbidos, é preciso compreender que o indivíduo deverá mobilizar suas forças a fim de buscar ajudas especializadas, como a de um psicólogo ou de um psiquiatra, sem, contudo, esquecer-se da responsabilidade que lhe compete em sua melhora, sem a qual, todo o tratamento psicológico e psiquiátrico, medicamentoso, não surtirão os efeitos ansiados.

O Consolador Prometido pelo Cristo, a Doutrina Espírita Cristã tem os recursos necessários para auxiliar aqueles que tombaram nos abismos e nos labirintos da própria mente, pois, através de seus tratamentos energéticos e das palestras doutrinárias, pouco a pouco, fortalecem o indivíduo no entendimento de que é portador de virtudes e de qualidades similares ao do Criador, fato a qual esquecera-se por se enredar nos padrões mentais infelizes, desconecta-se, temporariamente, das Forças Sublimes da Vida que a tudo presidem.

O Homem não tem uma natureza distinta da natureza de Deus, e o Espiritismo, com os recursos baseados no Evangelho de Jesus, auxilia para que o Ser, gradativamente, se reconecte com a sua Essência, recuperando a sua autonomia e autenticidade perante a Vida, sendo que podemos, assim, definir a Doutrina dos Espíritos como aquela que ilumina, expande e esclarece as consciências, despertando o Homem para que se recorde de sua condição de Espírito Imortal, temporariamente, habitando um corpo terreno, mas com objetivos definidos: o desenvolvimento e o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual, rumo ao Infinito.

Assim, todo despertar é lento, com seus altos e baixos, próprios da natureza humana, que, rompendo o jugo mental inferior que criou para si mesma, na repetição de padrões infelizes do pensar e do sentir, enfrentará, naturalmente, a repercussão das forças negativas por ela mesma criadas e alimentadas, cujas energias entram em choque com a decisão de mudança de vida, de maneira similar ao funcionamento do corpo físico, o qual também necessita de um período de adaptação quando recebe medicamentos no tratamento de infecções, até que se lhe restabeleça, por completo, a paz orgânica.

O pensamento, assim, é vida. É a criação da vida, tanto no plano material, como no plano espiritual e ninguém poderá fugir daquilo que criou para si mesmo, mas poderá, com esforço e na ação do tempo, empregando a disciplina, a renovação de sua forma de pensar, a perseverança em objetivos construtivos e a fé no Criador, na observância da Divina Lei, que nos convida, diariamente, a amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos, mudar suas criações mentais e, por conseguinte, sua vida e sua realidade.

ZARTHÚ.
Canalizado por Eloy Augusto. SP. 18/01/2020.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Mensagem de Preto Velho, por Eloy Augusto




Meus filhos,
Os tempos são de muita correria pra suncês e suncês sente o tempo passando depressa, e às vezes com a sensação de tempo perdido, de que tá faltando alguma coisa que preencha o coração de suncês de alegria.
É o chamado estresse né zifios? Preto Véio tá vendo como os fiinhos se desgastam, correndo pra lá e pra cá, sempre preocupados, sempre cansados, tentando dar conta do mundo.
Filhos meus, caminha mais devagar como preto véio, vai mais devagar, porque nesse ritmo, todo esse nervoso, essa pressa e preocupação vira doença, que os douto da Terra chama de ansiedade, de depressão né?
É preciso desacelerar um pouco e olhar com mais atenção pras coisas boas que tanto acontecem, diariamente, na vida de suncês, e suncês tão ocupado demais reclamando, brigando ou correndo com os afazeres, sem se dar conta das coisas pequenininhas que são tão importantes e fazem tão bem ao coração.
Com tanta correria e agitação, os filhos tem tido tempo pra admirar o céu bonito ao fim do dia de trabalho? Suncês veem como as estrelas estão cintilantes ou como as nuvens estão fromosas, como num retrato de pintor?
Com as reclamações e os problemas financeiros, os fiinhos se alembram de agradecer as conquistas materiais? O emprego? O carro? A casa? O alimento? Isso sem falar no corpo, na mente, funcionando bão, né fio?
Com o olhar voltado pros problemas da sociedade, meus filhos tão se esquecendo de acreditar mais no companheiro de caminhada, esquecendo que as pessoas evolui a seu tempo e que cada fio está exatamente onde tem que estar.
Ô meus fios, não esqueça de parar um pouco, de olhar pra criança que te sorri! Principalmente pra Criança Interior de suncês, que tá aí nos seus coraçãozinho, cheio de pureza, de simplicidade, de amor e de ternura; a Criança que precisa de tão pouquinho pra se alegrar, pra se divertir; a Criança que ama, que não vê defeito, que perdoa e tá sempre disposta a recomeçar nos caminho que o Senhor prepara...
Meus fios, não deixa que a tristeza tome conta de suncês, na ânsia de atender as expectativas do mundo e se esquecer do seu Criança Interior. Olha pra dentro e pra fora de vosmecês com muito amor e com muita gratidão pela oportunidade bendita da reencarnação...
Tirem um tempo pra suncês, saiam um pouco da neurose, da correria e do estresse, e se reconectem com o que há de mais puro, de mais sagrado em suncês: a Criança Interior.
Parem um pouco para admirar a Natureza, para se distrair, para viver com mais saúde.
E nego véio qué que todos os fios se alembrem: suncês são muito amados! Cada fio é muito amado e muito bem querido por todos nóis, na Aruanda!
Sempre se lembrem que suncês tem muitos espíritos que amam, que acompanham, que zelam por suncês diariamente, e que por mais estressados que suncês estejam, lembra disso: amamos vocês!

Com amor, e que Nosso Senhor Jesus de Nazaré e Nossa Senhora da Guia abençoe suncês, hoje e sempre!

Pai João de Mina.
Canalizado por: Eloy Augusto.
25/11/2019. SP.

domingo, 9 de junho de 2019

Conceitos de Deus, por Yogananda

Mahendranath Gupta, o “Mestre Mahásaya”

Santos de todas as religiões alcançaram a percepção de Deus através do singelo conceito da Bem-Amada Cósmica. O Absoluto é nirguna, “sem qualidade”, e acyntia, “inconcebível”; por isso, o pensamento e o anseio humanos sempre O personalizaram, sob a forma da Mãe Universal. A combinação do teísmo pessoal e de filosofia do Absoluto é uma antiquíssima conquista do pensamento hindu, exposto nos Vedas e no Bhágavad Gíta. Esta “reconciliação dos opostos” satisfaz o coração e a cabeça; bhákti (devoção) e jnâna (sabedoria) são, em essência, o mesmo. Prapátti, “refugiar-se em Deus” e sarângati, “entregar-se à Compaixão Divina”, são realmente os caminhos do mais alto conhecimento.
A humildade do Mestre Mahásaya e de todos os outros santos brota do reconhecimento de sua total dependência (seshátva) do Senhor, como única Vida e único Juiz. O homem sintonizado com Deus, experimenta alegria genuína e ilimitada porque a Beatitude é a Sua verdadeira natureza. “A primeira das paixões da alma e da vontade é a alegria”(1).
Em todas as épocas, acercando-se da Mãe com espírito de infância, Seus devotos atestam que sempre a encontram disposta a participar do jogo com eles. Na vida de Mestre Mahásaya, as manifestações do jogo divino ocorreram em ocasiões importantes e não importantes. Aos olhos de Deus nada é grande ou pequeno. Se Ele não houvesse construído o pequenino átomo com exatidão e beleza perfeita, poderiam os céus ostentar a orgulhosa estrutura de Vega ou de Arcturo? As distinções entre “importante” e “não importante” são, seguramente, desconhecidas para o Senhor a fim de evitar que, por falta de um alfinete, o cosmos se desmorone!

– Paramahansa Yogananda.
(Livro Autobiografia de um Iogue, Cap. 9).

(1) São João da Cruz. Encontrou-se o corpo deste amoroso santo cristão, morto em 1591 e exumado em 1859, em estado incorrupto.
Sir Francis Younghusband (Atlantic Monthly, dezembro de 1936) referiu-se à sua própria experiência de alegria cósmica: “Sobreveio-me algo que era mis do que elação ou regozijo; eu estava fora de mim, gozando de intensíssimo júbilo, e com esta indescritível e quase insuportável alegria, veio a revelação da bondade essencial do mundo. Tive a convicção, superior a quaisquer refutações, de que os homens em seu íntimo são bons, de que a maldade neles é superficial”.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Jogar a culpa no Sagrado, por Eloy Augusto



Jogar a culpa no Sagrado

Por que terceirizamos sempre a culpa no nosso precioso sagrado?
Talvez seja mais fácil do que assumir a responsabilidade pelos nossos erros, desacertos ou pela nossa preguiça ou incompetência.
Muitos irmãos da Umbanda e do Candomblé mantém uma noção extremamente nociva sobre o seu Sagrado, sempre lhe imputando a culpa pelos problemas que possuem, uma marca cruel de ignorância e cegueira espiritual, de fanatismo, fechados num ciclo de ideias tóxicas e vivenciando uma religião que não os religa, verdadeiramente, à Fé que transforma-nos interiormente.
Pensam que se deixam, por exemplo, de cumprir com suas “obrigações” o Orixá irá puni-los, tornando sua vida infértil, com doenças ou problemas.
Como podemos cultuar um Sagrado que nos faz mal? Que nos prejudica quando “faltamos” com ele? É incoerente ao extremo essa visão e denota uma fé cega ou, pior, uma fé baseada no medo, e também um sistema de trocas deplorável.
Ouvi de um “pai-de-santo” de Candomblé, certa vez, que “se o filho não der o melhor para o Orixá, o Orixá nunca lhe dará o melhor”... Quanta ilusão! E nesse comércio que se torna a religião, muitos caem num sistema de trocas extremamente infeliz com o espiritual. Será que cultuamos o Orixá por amor? Ou por interesse?
Na Umbanda essas “cobranças” também existem, pois, muitos pensam que se não fizerem a “oferenda” tal, não conseguirão aquilo que querem; se não fizerem tal “firmeza”, não terão a proteção espiritual que anseiam... E muitos ainda acham que os Guias vão puni-los, que podem lhe fazer algum mal...
Pois digo que o mal está dentro de cada um de nós e passa da hora de reconhecer que somente nós podemos mudar as nossas vidas.
Sem uma mudança real de pensamentos, sentimentos e atitudes, continuaremos num ciclo vicioso de problemas, sempre atraindo pessoas e situações que ficaram mal resolvidas para nós e dentro de nós.
Por que, então, sempre jogar a culpa nos Orixás e nos Guias?
Será que um Guia de Luz, trabalhador do Bem, realmente nos fará mal? Porque, até onde eu saiba, o verdadeiro Guia Espiritual não faz e nunca nos fará nenhum tipo de mal.
As “oferendas” e “firmezas” tem suas funções energéticas, sim, e podem muito nos ajudar em vários sentidos, mas nenhum ser no Universo fará por nós o que é de nossa inteira responsabilidade.
Somente com o autoconhecimento, a disciplina, a reforma íntima, a humildade, o perdão e o esquecimento das ofensas conseguiremos nos transformar... Sem nos conhecermos a nós mesmos, as nossas imperfeições, limites, qualidades e defeitos, os pontos que temos a melhorar, ficará muito difícil a caminhada...  Caminharemos perdidos, sempre em busca de culpados pelos nossos problemas!
Por que então preservar uma imagem tão ruim da religião que amamos? Se liberte disso! Deus nos fez para crescermos como Espíritos Imortais que todos somos, para sermos felizes, o que implica encarar a nós mesmos, assumir a responsabilidade pela vida e sermos, efetivamente, agentes de mudança, porque é inadmissível continuar nessa ilusão de que os Guias e os Orixás devem fazer o que nos compete... Ou que nos punirão por coisas tão pequenas...
Pense, repense e se analise com sinceridade...
Quem está, de fato, te punindo? Você mesmo ou fatores externos? Pense com sinceridade e saberá a resposta! Fica a reflexão...

Eloy Augusto.
(Texto intuído por Pai João de Mina).
SP. 19/01/2019.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Mediunidade e seu desenvolvimento, por Pai Guiné


A mediunidade não deve ser encarada como uma graça súbita, que o indivíduo recebe, manifestando-se sobre o seu espírito e seu organismo, sem que estes tenham sido “manipulados” antes, nas condições morais energéticas, para receber um acréscimo de fluidos vitais e apropriados à manifestação da dita mediunidade. A ciência da Terra afirma que a Natureza não dá saltos... Assim, a Natureza ou a estrutura íntima de um perispírito ou de um corpo astral, via de regra, não é alterada ou manipulada em certos núcleos vitais de energia, depois que este corpo astral se consolida sobre seu organismo, digamos, físico propriamente dito, e é já amadurecido por seu dinamismo, por sua presença.  

(...)  O que você vê como “desenvolvimento mediúnico”, é a tentativa comum, usada na maior parte das sessões, que pretendem provocar nas criaturas aquilo que elas não têm, porque, de forma alguma trouxeram.  
Isso generalizou-se como o tal “desenvolvimento”, de que fala. Agora, despertar a mediunidade existente e comprovada em alguém, pela educação racional das qualidades morais, isto é, das condições psíquicas e orgânicas, é criar condições favoráveis naquele que trouxe essa faculdade, a fim de que ela surja, espontaneamente, dentro dos cuidados, da orientação que deve cercas aqueles que são médiuns, veículos dos espíritos.  
Bem, “zi-cerô”, nesta altura, tenho que entrar com uma série de fundamentos, que parecerão complicados, justamente para você poder alcançar, tanto quanto possível, a questão do porquê do selo mediúnico e sua relação com o “cérebro anímico” onde ele é impresso como a dupla condição de que falei. E ainda porque quero chamar a atenção para as “criações anímicas”, que, no linguajar de “terreiro”, chamo de “cascudos” – esses tremendos perturbadores dos médiuns e das sessões.   
Se você compreendeu bem o que explanei, sobre cérebro anímico ou organismo mental, deve ter concluído, por lógica, que o ser desencarnado é quem traz a maior soma de aquisições ou contribuições para o embrião, posteriormente ao feto e ao organismo físico em sua formação, que vai ser o seu. Essas contribuições ou aquisições são, na totalidade, o seu carma ou “destino”, que se revela na forma das predisposições ou das afinidades, sentimentos, tendências, impulsos, sensações várias, tudo isso como reservas armazenadas em seu organismo mental e astral, que também, por sua vez, armazenaram vícios e erros... enfim, coisas boas e más de outras encarnações.  
Tudo isso, dentro da Lei de Conseqüência, tem que ser submetido aos necessários reajustamentos, que se processam dentro de ligações, experiências, como as dores, as alegrias, etc., tudo na dependência exclusiva de seu próprio esforço, no caminho da libertação, ou seja, na escoimação dos elementos nocivos, que adquiriu e que estão ligados a outros seres, bem como das ligações positivas que fez, também, com outros seres.  
Daí é que os Espíritos maiores do Plano dos Mentores, que estão encarregados de controlar diretamente a via de execução da lei de causa e efeito, dentro das reencarnações de cada um, podem achar necessário, de acordo com a análise de todos esses elementos, junto ao ser desencarnado, em geral com a aquiescência dele, podem achar necessário, repito, manifestar sobre ele a dupla condição especial, como faculdade mediúnica, afim de que possa reajustar, com mais propriedade, certas necessidades do seu carma.  
Nesse caso, ele tem a mediunidade Probatória de Expiação. Podem ainda, em relação ao exposto, outorgar o dom mediúnico a um ser que, embora não sendo para fins puramente probatórios, é conferido como um acréscimo positivo, a fim de incrementar as qualidades aproveitáveis que já venha revelando. Essa faculdade lhe é dada a título de ajuda à sua evolução, pelo seu merecimento. Diz-se assim, como fazendo parte de seu Carma Evolutivo.  
Conferem ainda, esse citado dom àqueles que, já possuidores de elevados conhecimentos, já com grande entendimento sobre as eternas verdades, que são as leis morais estabelecidas, podem servir em uma missão. Estes têm um Carma missionário. Através deles, pelos conhecimentos que lhes são próprios, pelo desejo ardente que têm de ajudar seus irmãos, assim, lhes conferem essa faculdade, a fim de se porem em condições superiores de esclarecimentos, para servirem melhor sob vários aspectos, dentro da Missão que lhes foi confiada.  
Isso, “zi-cerô”, dito em linhas gerais, é o suficiente para que este “preto-véio” possa entrar na essência da questão.  
Se o Espírito ou o Ser desencarnado, então, aceitou essa faculdade, em que qualquer das três situações acima discriminadas, faz-se necessário que se proceda ao preparo dele, a fim de que possa manifestar ou revelar isso, no mundo dos encarnados, que, provisoriamente, vai ser o seu. Esse preparo começa pela parte moral, quando lhe é feito sentir tudo que terá de sofrer ou passar em relação com esse dom e até quais os seres irmãos desencarnados (é claro), que vão agir através de sua mediunidade.  
Estando essa parte moral cármica bem situada, segue-se o outro preparo, de caráter puramente energético. Sim. Porque a condição moral espiritual cármica, quer probatória, evolutiva ou missionária em que os seres foram situados, em relação com a dita mediunidade, antes de ocuparem a forma humana, será posta em relevo, quanto ao esforço próprio, isto é, serão bem advertidos de que reajustes, benefícios e êxitos ficarão na dependência de seus esforços, da força de vontade que devem usar ou ter para vencer, etc.  
É-lhes demonstrado, também, como essa faculdade medianímica, se revelando em benefícios, em caridade sobre os outros, trará a seus carmas, pela lei do “dando é que recebemos”, os elementos que se incorporarão às suas aquisições positivas, no Caminho da Evolução.  
(...) É uma condição orgânica especial, dotada por acréscimo sobre as condições orgânicas normais. Por que assim, “zi-cerô”? Porque é sobre o organismo físico, humano, que se vão processar fenômenos, condições extranormais, reveladas em aspectos visíveis, sensíveis e palpáveis à percepção humana, objetiva. Órgãos humanos traduzirão, através de seus elementos próprios, manifestações que possam ser vistas, sentidas e analisadas por outros seres, que o farão, também, através de seus próprios órgãos físicos, humanos. Torna-se claro, patente, que uma criatura, como médium, revelando condições supranormais, quando traduz pela intuição, irradiação, vidência, etc., especialmente pelo transe mediúnico ou incorporação dos espíritos, a ação direta, inteligente, diferente, desses mesmos espíritos, de forma extraordinária, isto é, que não é comum às outras pessoas, é porque está possuído de condições especiais em seus organismos, que facultem a materialização desses fenômenos.  
São fluidos nervosos específicos que ele possui, em certas regiões vitais ou zonas de equivalência, como produtoras e captadoras dessas ligações. E essas zonas, situadas no organismo humano, são centros nervosos vitais, compostos de gânglios ou plexos que sofreram uma operação, uma manipulação própria, uma carga fluídica, por acréscimo, que faz com que saiam de suas condições normais, porém, controladas, a fim de não se desequilibrarem por esse excesso.   
Mediante isso, é fácil entender, “zi-cerô”, que essa manipulação especial é feita nos Núcleos Vitais do Organismo Mental e Astral do ser que vai encarnar e ao qual vai ser conferido o selo mediúnico, isto é, a dupla condição especial que pode revelar a faculdade mediúnica, em qualquer de suas modalidades.  
Há necessidade disso, devido às adaptações imprescindíveis dos Núcleos Vitais dos Organismos Mental e Astral do desencarnado, sobre o organismo físico em formação (embrião e feto) que lhe vai servir de corpo denso e onde vão ser impressas as suas faculdades, tendências, sensações, etc., enfim, todas as suas aquisições morais, positivas e negativas.  
É, portanto, de cima, do interior, que vem tudo, para baixo, para o exterior, para o que é visível, sensível e palpável.  

PAI GUINÉ DE ANGOLA.
Livro: LIÇÕES DE UMBANDA E QUIMBANDA NA PALAVRA DE UM PRETO VELHO. W. W. DA MATTA E SILVA. ÍCONE EDITORA.

sábado, 22 de dezembro de 2018

AMACIS NA UMBANDA


PERGUNTA - Qual o porquê das ervas utilizadas e das iniciações junto à Natureza realizadas na Umbanda? Afinal, o que é um "amaci"?

RAMATÍS - As ervas utilizadas e as iniciações junto aos locais vibrados da Natureza da Terra têm por finalidade a renovação energética, o alinhamento dos chacras e a adequação do fluxo vibratório destes, nos diversos corpos sutis, aos chacras dos Guias e Protetores de cada médium, que também os possuem, tanto no corpo astral quanto nos seus corpos mentais. Evidencie-se que há uma espécie de junção nestes vórtices vibratórios, entre dimensões de freqüências diferentes, o que requer imenso rebaixamentos das entidades comunicantes, exigindo da parte dos encarnados elevação moral e harmonia como maneira de aumentar o tônus vibratório a ponto dos chacras se "encaixarem". 
Os chamados "amacis" nada mais são do que o uso de ervas, em que princípios astralmagnéticos que as influenciam e que as ligam vibratoriamente com as energias dos quatro elementos planetários, do ar, da terra, do fogo e da água, são adotados para a complementação energética dos médiuns. Não são quaisquer ervas, usadas aleatoriamente. Quando assim ocorre, prepondera somente a boa vontade dos diretores e a auto-sugestão do médium, como uma espécie de placebo medicamentoso. 
Efetivamente, os princípios químicos em regência vibratória astrológica afim não são liberados adequadamente, tornando-se inócuos nestes casos os "amacis". 
É fundamental que as ervas estejam alinhadas vibratoriamente com a astrologia e com os Orixás que influenciam os médiuns, para o efeito de se fortalecer a ligadura através dos chacras durante as manifestações dos Guias e Protetores. Claro está que a ancestralidade e a própria sensibilização do corpo astral do médium pelos técnicos siderais antes de reencarnar são fundamentais para o sucesso das lides medianímicas no seio da Umbanda, que vai além do intercâmbio meramente mental, só pelo pensamento.


Livro "Jardim dos Orixás". Norberto Peixoto/Ramatís. Editora do Conhecimento.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Magnetismo Animal ou Magia Magnética, por Ramatís



PERGUNTA: - Solicitamos vossos comentários sobre a denominação "magia magnética", um tanto usual na umbanda, na apometria e no esoterismo. Isso não seria mera sugestão mental?

RAMATÍS: - O Ocidente iniciava os estudos sobre as forças da natureza, como a gravidade, o magnetismo e a eletricidade, quando Mesmer tornou-se o centro das atenções por seu trabalho com curas fenomenais, trazendo a teoria que viria a ser conhecida como mesmerismo(*).
Na verdade, Mesmer compreendia o Universo como uma unidade viva, onde cada parte manifestada no mundo das formas era afetada por uma força incompreensível ao cidadão comum.
Ele afirmava que essa força era alheia às reconhecidas pelo mundo científico convencional, particularmente se manifestando por meio do fenômeno do magnetismo. Por esse motivo, não apresentou totalmente a sua teoria aos cientistas da época, quando da sua tese de doutoramento. Antevia que seria incompreendido. 
Na verdade, vossos corpos são como magnetos, com pólos eletromagnéticos bem definidos, conjugados às emanações que perpassam pelo duplo etérico, próprias do metabolismo fisiológico. Disso resulta a produção dos diversos tipos de ectoplasma, uma substância sutil entre o material e o éter, que pode ser direcionada pela força mental adestrada, pelo pensamento e pela 'vontade.
Essa chamada energia zôo da apometria pode ser acumulada, expandida, compactada, absorvida ou isolada com maior potencialidade quando a força mental do mago se alia a certos elementos materiais, como os metais, minerais, óleos, água, ervas e até alguns tipos de tecido, papel e madeira, como os utilizados na magia dos terreiros de umbanda. Vossa ciência já comprovou, mediante estudos experimentais inquestionáveis, que a força magnética emitida se reproduz no objeto ao qual está direcionada, como se fosse uma cópia de sua própria vibração.
Muitos dos objetos pessoais são uma extensão magnética do cidadão que os usa habitualmente. Assim, o mago que projeta a sua vontade e poder mental concentrado nesse ponto focal poderá movimentar forças similares invocadas pelo seu poder mental ou do próprio consulente, se for participante ativo do ato de magia. Assim como ocorre na apometria, na umbanda o magnetismo animal ou magia magnética é fundamental, aliado a outros tipos de fluidos que os técnicos do "lado de cá" movimentam, e que, por repercussão vibratória natural, decorrente da força centrípeta do conjunto dos corpos astral e etérico, acabam afetando o corpo físico dos atendidos, propiciando as curas.
Esse mecanismo é mais atuante em espíritos desencarnados socorridos, quando recompomos membros esfacelados, realizamos cirurgias e trocamos as vestes maltrapilhas por roupas novas.
Tende em mente que os chamados "milagres" propiciados pela magia não são contrários à natureza e aos seus elementos manifestados na Terra.
Aquilo que não conheceis pode ser contrário à vossa natureza, um tanto refratária a qualquer nota diferente do diapasão a que vossas casas mentais estão habituadas. Claro está que sem a sugestão mental nada se faz, na magia e na caridade que envolve o mediunismo.

(*) Mesmerismo - Teoria de Franz Anton Mesmer (1733-1815), médico austríaco, segundo a qual todo o ser vivo seria dotado de um fluido magnético e capaz de transmiti-lo a outros indivíduos, estabelecendo-se, assim, influências psicossomáticas recíprocas, inclusive com fins terapêuticos - é o magnetismo animal. Logicamente, fazendo os homens parte do plano físico e sendo partículas manifestadas no Cosmo, Mesmer concluiu que essa força era igualmente irradiada pelos organismos humanos, e convencionou chamá-la de magnetismo animal.

LIVRO: "VOZES DE ARUANDA", 
RAMATÍS e BABAJIANANDA.
Psicografia de: NORBERTO PEIXOTO. Ed. do Conhecimento.