quinta-feira, 7 de junho de 2018

Crises, por Pai João de Aruanda


Meu filho está confuso? 

É preciso coragem para modificar, para decidir e ousar. A vida, meu filho, só permite a vitória daqueles que ousam. que decidem, que realizam. 

Quando a crise visita os meus filhos, é que já é hora de modificar alguma coisa. A crise é sentimental? É preciso modificar a visão a respeito de si e do outro e promover as mudanças. O amor só sobrevive se for alimentado, adubado e regado  com carinho, doçura, pequenos gestos; enfim, uma série de coisas aparentemente pequenas, muito importantes para manter a vida sentimental. A crise é econômica? Que tal modificar a forma de gerenciar  sua vida, seus negócios e suas próprias aspirações? 

A crise, quando se apresenta na área social, é um convite à reavaliação de suas posturas, de sua forma de ver a vida e de seu envolvimento com o mundo e a sociedade. É preciso que as pessoas se sintam apaixonadas. Sem envolvimento. sem apaixonar­-se por uma ideia, uma pessoa ou um ideal, a vida parece perder o sabor. Qualquer crise, meu filho, é uma forma mais direta que a vida encontra de nos dizer que temos de modificar algo ou nós mesmos. Isso não é fácil, eu sei! Mas é possível realizar, os desafios existem para estimular a gente a crescer e encontrar  uma saída mais simples, ou para nos empurrar rumo a uma solução que está muitas vezes ao nosso lado o tempo todo. É que a gente se acostuma fácil com a boa­ vida e se acomoda. 

“Deus ajuda a quem cedo madruga” — esse aforismo popular é um reflexo  da mais pura realidade. É preciso começar cedo a se organizar e procurar soluções. Quando falo em organização, meus filhos acham que é algo difícil de realizar. Mas afirmo que as coisas só são difíceis enquanto você achar que é difícil. 

Quando os meus filhos decidirem que é preciso, que é possível, e assim aliarem sua vontade de realização ao conhecimento de sua necessidade, aí será fácil. Reclamar, chorar e adiar decisões não resolve problema algum. 

Aliás, meu  filho, tem algumas coisinhas que você poderá fazer  em benefício próprio. Não adie aquilo que você tem de fazer. Adiar é uma forma de sabotar a si próprio. 

Não procure culpados ou  culpas, vá atrás de soluções e assuma sua responsabilidade. Aprenda a se organizar e agir. 

Meus filhos estão acostumados a reagir e, então, não conquistam a vitória. Choram e lamentam, mas ainda isso é uma reação. Seja uma pessoa ativa. Em vez de reagir, aja. Uma ação é muito mais inteligente do que uma reação. 

É preciso ter coragem para mudar. As crises são o grito da vida nos chamando à modificação.

Vovó vem descendo a ladeira carregando o seu ramo de guiné. 
Ela foi parteira das negras da senzala, 
mas também das sinhás, filhas de fé.

DO LIVRO SABEDORIA DE PRETO VELHO, PAI JOÃO DE ARUANDA/ROBSON PINHEIRO. EDITORA CASA DOS ESPÍRITOS.

Comentários, por Pai João de Aruanda


O que é isso, meu irmão? 

Porque que falar da casa do outro quando a nossa casa está cheia de motivos para transformação? 

Pra que citar os insucessos espirituais alheios, quando nos falta muito para aprender, caminhar e acertar? 

Não perca tempo relatando ocorrências infelizes dos outros. E também, tanto quanto nós, se esforçam como podem para deter a miséria de muita gente e resgatar sua dignidade perdida. 

Mensageiros do bem, trabalhando em nome do Nosso  Senhor em outra seara, com outros instrumentos, e se nós estivéssemos no lugar deles, talvez não  saberíamos agir de outra forma. 

Eles, no lugar em que nos encontramos, servindo conforme a cartilha que seguimos, deixamos muito a desejar. Falta­-nos imensos caminhos a percorrer  até que possamos ser considerados verdadeiros trabalhadores do nosso Pai. Pense nisso, meu  filho, e aprendamos juntos a dominar a palavra que sai de nossa boca e a controlar os comentários infelizes em relação àqueles que foram chamados por Jesus para realizar tipo de tarefa que nós rejeitamos fazer. 

No final daquela reunião cujos comentários invocavam a intolerância religiosa, o pai­-velho assume o médium e fala, de forma a tocar os corações. 

Lá vem vovô descendo a ladeira com sua sacola. E com seu rosário e com seu  patuá, ele vem de Angola. 
Eu quero ver, vovô, eu quero ver, 
eu quero ver se filho de Zambi tem querer.

DO LIVRO SABEDORIA DE PRETO VELHO, ROBSON PINHEIRO/PAI JOÃO DE ARUANDA.
EDITORA CASA DOS ESPÍRITOS.

Medo da Morte, por Pai João de Aruanda


Meus filhos têm muito medo da morte. 

Alguns que se dizem mais sábios têm falado que a morte não existe. 

Mas ela existe sim. A morte que vocês temem não é aquela que existe, pois o que se teme é a passagem para o lado de cá da vida, a forma como a morte pode acontecer, mas dessa morte não há que se ter medo, não. Ela é só uma passagem, uma travessia, como se fosse uma ponte ligando dois lados de uma mesma vida. 

Afinal de contas vocês ensaiam todos os dias para a morte. Deitam, dormem e acordam sem se darem conta de que esse é um ensaio da vida para a grande viagem da morte. 

A própria natureza ensaia constantemente para mostrar  ao homem a realidade da vida. O sol nasce e se põe, renasce no outro dia, mostrando a lição da morte e da vida. Desde as plantas aos animais, morrendo cada dia, tudo demonstra que sempre há um recomeço, uma continuidade e que o que vocês chamam de morte é apenas uma passagem para a verdadeira vida. 

Mas a morte que vocês devem evitar é de Outro tipo: a morte da consciência. Quando o  homem deixa morrer a sua consciência, deixa de amar e passa para o ódio, a vingança, a paixão desenfreada, ou qualquer outra degradação da alma, aí sim, ele está morto. É um cadáver que sai pelo mundo perambulando, um “sem­vida”, que passa pelo mundo mas não vive, porque não ama. Dessa morte é
que vocês têm de fugir, essa morte é que meus filhos têm que evitar.

O contrário, a outra morte que é aparente, é pura ressurreição Morrer, todo mundo morre um dia, mas desencarnar é deixar os apegos da matéria e tudo o que isso representa. Aí é que pai­-velho diz que desencarnar é para poucos. Porque poucos são os que sabem desapegar-se e exercitar a espiritualidade dentro de si. Então, por que ter medo de morrer? Para quem tem a consciência tranquila, morte é vida, recomeço que representa novas oportunidades de realização.  

O vento soprou lá nas matas deixou as folhas da Jurema no chão! 
O vento vai soprando as folhas vão caindo.
Caboclo vai apanhar folha no chão!

DO LIVRO SABEDORIA DE PRETO VELHO, ROBSON PINHEIRO/PAI JOÃO DE ARUANDA.
EDITORA CASA DOS ESPÍRITOS.

Cativeiro da alma, por Pai João de Aruanda


Cativeiro. Palavra difícil, essa. 

Muitas vezes meus filhos julgam que o cativeiro é somente aquele em que os homens, geralmente os brancos, subjugavam negros e a eles impingiam toda sorte de sofrimento, de acordo com o mando do senhor dos escravos. Quanto engano. Há tantas formas de cativeiro... 

O jugo que o homem impõe sobre o  outro, tentando oprimir as consciências, espalhando a infelicidade dentro dos corações. O cativeiro das ideias, quando o ser se faz escravo de certos pensamentos, já ultrapassados, ou mesmo das próprias ideias, que nem sempre dignificam quem está com a razão. 

Existe a escravidão de um povo, de uma raça, de uma comunidade, de uma família ou  de um indivíduo, quando se recusa a seguir o progresso da vida e estaciona no tempo. Mas há também a escravidão daqueles que se julgam sábios, que repetem coisas belas filosofias copiadas de outros e que são  incapazes de realizar algo em benefício próprio, como a transformação íntima de suas tendências, seus costumes e ideias, pois se acham escravos de si mesmos. 

Na verdade, o cativeiro da escravidão pode ter passado. No entanto, quem sabe Isabel, a princesa, tenha apenas aberto um caminho para que os homens não  mais continuassem cativos de seus modismos, medos, ânsias e angústias; de sua pequenez sem sentido? 

É preciso que os meus filhos se encarem no espelho. Não naquele espelho  no qual costumam olhar-se pela manhã, mas no espelho do eu, na própria alma. Observar se não estão com grilhões atados na mente, na alma ou no coração. 

É preciso liberdade. Mas liberdade não é o resultado de um decreto ou de uma assinatura em uma folha de papel. A verdadeira libertação é a da alma, que poderá um dia voar livre como as andorinhas no céu  de sua própria vida. Sem grilhões, sem cordas, sem muletas. 

É preciso voar e voar alto, dentro de si mesmo.

Xangô morreu com seu livro de justiça, sentado numa pedra...
Quem deve paga, quem merece recebe...

LIVRO SABEDORIA DE PRETO VELHO, ROBSON PINHEIRO/ÂNGELO INÁCIO.
EDITORA CASA DOS ESPÍRITOS.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Compreendendo a Fé, por Zarthú



Compreendendo a Fé
“Homem de pouca fé, por que duvidaste?” – Jesus (Mateus 14:31)

As crises de fé, infelizmente, costumam fazer parte do cotidiano daqueles que se encontram em momentos de provação e de dor.
Quando as coisas não dão certo ou quando somos testados pela Vida pelos ventos gélidos da ingratidão ou pelo gosto amargo da indiferença daqueles que amamos; quando nos falta o parceiro amoroso e a solidão nos faz companhia; quando é escasso o emprego e o desespero nos bate à porta ou quando enche-nos a família de contendas terríveis, ao invés de lhe atendermos o chamado com a fé viva no Cristo, com a certeza inquebrantável de que a Providência Divina a tudo administra, acabamos nos sentindo frágeis, descrentes, desesperançosos e mau humorados, iludindo-nos com a ideia de que estamos desenganados ou invisíveis aos olhos do Todo Poderoso.
Nós todos passamos por momentos dolorosos em nossas vida e pedimos ao Pai “Senhor, se te aprouver, afasta de mim o Teu cálice” e esquecemo-nos, entretanto, de repetir as sãs palavras do Salvador, “fazei, contudo, a Tua vontade”. Jesus também fora homem e também sofrera; no horto das oliveiras Ele orara e sofrera, mas mantivera-se resignado às determinações celestes, mesmo que isso Lhe custasse padecer no madeiro...
Para quem sofre, ter fé é acreditar que a Bondade e a Justiça de Deus são infalíveis.
Para quem chora, Jesus lembra-nos que “o meu fardo é leve e o meu jugo é suave”.
Para quem se afasta do caminho do bem, diz-nos o Messias, “vá e não peques mais”.
Nós costumamos orar e pedir o auxílio celeste. Mas o profeta Isaías alertava que “dele se aproximavam e o honravam com seus lábios, com o coração distante dele”, refletindo a hipocrisia dos homens de pouca fé, que oram sem mover as suas próprias forças em benefício próprio.
Quantos homens conhecem as verdades espirituais sem vivenciá-las!
O momento de dor e de provação, em verdade, é o momento do testemunho daquele que se compromete em vivenciar os ensinamentos de Jesus...
“O que sai do boca provém do coração e é isso que contamina, que desvirtua o homem”, ou seja, sem uma renovação sincera dos nossos sentimentos, das nossas posturas interiores, dos pensamentos que alimentamos diariamente, sem a autocrítica saudável e necessária à reforma e reavaliação íntima, nos assemelhamos a “sepulcros caiados, formosos por fora, mas cujo interior está cheio de imundície”.
E essa reforma, meus filhos, não é para amanhã. É para o momento de presente, é para agora, é para hoje – único momento em que algo poderão fazer, porque o ontem passou e o amanhã ao Senhor pertence...
O próprio Nazareno dissera: “Esta noite pedirão tua alma!”, ou seja, se o Senhor chamar teu Espírito, o que terás feito pela tua renovação, sempre procrastinando para amanhã? Retornarás sem renovar-te?!
Para ter fé é preciso crer na Justiça Soberana de Deus, onde todas as nossas ações (passadas ou presentes) resultam em consequências, em reações nas nossas existências...
Ter fé é entender que somos dotados do livre-arbítrio que o Pai nos concedera, sabendo, entretanto, que isso é responsabilidade inestimável perante a consciência, onde se encontram gravadas as leis divinas, e semelhantes ao Apóstolo dos Gentios, entender e vivenciar que “tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém”.
Fé raciocinada é filtragem de ideias, de sentimentos e ações...
Fé é comprometimento com o próprio soerguimento moral, pois que muitos de nós, em passado não muito distante, ainda encontrávamo-nos tombados nos vales do poder, em comunhão com a maldade organizada, ou nos vícios e desregramentos...
As crises que nos visitam a vida são os momentos de reajuste, nos convidando, através da dor benéfica da experiência medicamentosa (porém, às vezes, amarga), a despertar-nos para a resignação – o quê, em absoluto, não quer dizer passividade ou prostração; mas, sim, entendimento e aceitação à Deus e às Suas Leis, na certeza de que não transgredindo-as, viveremos com qualidade e em harmonia.
A crise assemelha-se à tempestade passageira, de longa ou curta duração, com a intensidade de catastrófica tormenta ou amena chuva, mas que, em todo o caso, simbolizará a renovação de nós mesmos, para que, ainda na existência material, possamos fazer “morrer o homem velho”, ou seja, todas as nossas tendências ruins, e permitir que o “homem novo”, renovado e de consciência crística, viva em nós.
Deus quer-nos felizes mas nem sempre nós estamos dispostos a viver essa felicidade.
Ainda estamos distantes de entender a felicidade prometida pelo Senhor por buscarmos as “felicidades do mundo”, mas quem conhece as palavras de Vida e Verdade do Cristo, “não são do mundo, como Ele do mundo não era”!
Muitos de nós sequer sente-se merecedor da felicidade pela carga de culpas que carregamos em nossos corações... Cobramo-nos demais e ao mesmo tempo, ao invés de agir de forma sadia e racional, buscando nos melhorar e nos ajustar perante a Vida, caímos na tristeza que nada constrói, na reclamação infrutífera ou na revolta pecaminosa, e assim perde-se valioso tempo de algo construir em prol de si mesmo e do próximo...
Procuremos refletir no quanto o Senhor da Vida nos ama a todos e nas oportunidades que diariamente d’Ele recebemos, porque “grandes coisas o Senhor fez por nós” – nos ensina o Salmo 126, “pelas quais estamos alegres”, e Deus continua fazendo...
Alegra-te, portanto, meus filhos, no teu sofrimento, porque é passageiro!
Permanente, foi, é e sempre será o Divino que a todos nos direciona nas experiências de retificação, a nos oportunizar a lapidação de nós mesmos...
Alegra-te! O Senhor é com todos e com cada um de nós! Confia no Cristo que, amorosamente, segue-nos os passos rumo ao Infinito.

ZARTHÚ.
Médium: Eloy Augusto. SP, 05/06/2018.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Ataque ao Espiritismo e aos espíritas


40 - NOS DOMÍNIOS DA SOMBRA

Em compacta assembleia do reino das sombras, um poderoso soberano das trevas, diante de milhares de falangistas da miséria e da ignorância, explicava o motivo da grande reunião.

O Espiritismo com Jesus, aclarando a mente humana, prejudicava os planos infernais.

EFEITOS DO ESPIRITISMO
Em toda parte da Terra, as criaturas começavam a raciocinar menos superficialmente! Indagavam, com segurança, quanto aos enigmas do sofrimento e da morte e aprendiam sem maior dificuldade, as lições da Justiça Divina. Compreendiam, sem cadeias dogmáticas, os ensinamentos do Evangelho. Oravam com fervor. Meditavam na reencarnação e passavam a interpretar com mais inteligência os deveres que lhes cabiam no Planeta. Muita gente entregava-se aos livros nobres, à caridade e à compaixão, iluminando a paisagem social do mundo e, por isso, todas as atividades da sombra surgiam ameaçadas...

Que fazer para conjurar o perigo?
E pediu para que os seus assessores apresentassem sugestões.

1 - O COMANDANTE DA INCREDULIDADE
Depois de alguns momentos de expectativa, ergueu-se o comandante das legiões da incredulidade e falou:
- Procuremos veicular a crença de que Deus não existe e de que as criaturas viventes estão entregues a forças cruéis e fatais da Natureza...
O maioral das trevas, porém, objetou, desencantado:
- O argumento não serve. Quanto mais avança nos trilhos da inteligência mais reconhece o homem a Paternidade de Deus, sendo atraído inelutavelmente para a fé ardente e pura.

2 – O ORIENTADOR DA VAIDADE
Levantou-se, no entanto, o orientador das legiões da vaidade e opinou:
- Espalharemos a notícia de que Jesus nada tem que ver com o Espiritismo, que as manifestações dos desencarnados se resumem num caso fisiológico para as conclusões da Ciência, e, desnorteando os profitentes da Renovadora Doutrina, faremos com que gozem a vida no mundo, como melhor lhes pareça, sem qualquer obrigação para com o Evangelho e, assim, serão colhidos no túmulo, com as mesmas lacunas morais que trouxeram do berço...
O rei das sombras anuiu, complacente:
- Sim, essa ilusão já foi muito importante, contudo, há milhares de pessoas despertando para a verdade, na certeza de que as portas do sepulcro não se abririam para os vivos da Terra, sem a intervenção de Jesus.

3 – O DIRETOR DA DISCÓRDIA
Nesse ponto, o diretor das falanges da discórdia pôs-se de pé e conclamou:
- Sabemos que a força dos espíritas nasce das reuniões em que se congregam para a oração e para o aprendizado da Vida Espiritual, e nas quais tomam contato com os Mensageiros da Luz... Assim sendo, assopraremos a cizânia entre os seguidores dessa bandeira transformadora, exagerando-lhes a noção da dignidade própria. Separá-los-emos uns dos outros com o invisível bastão da maledicência. Chamaremos em nosso auxílio os polemistas, os discutidores, os carregadores de lixo social, os fiscais do próximo e os examinadores de consciências alheias para que os seus templos se povoam de feridas e mágoas incuráveis e, assim, os irmãos em Cristo saberão detestar-se uns aos outros, com sorrisos nos lábios, inutilizando-se para as obras do bem.
O chefe satânico, todavia, considerou:
- Isso é medida louvável, contudo necessitamos de providência de efeito mais profundo, porque sempre aparece um dia em que as brigas e os desacordos terminam com os remédios da humildade e com o socorro da oração 4- O 

4 - CONDUTOR DA DESORDEM
A essa altura, ergueu-se o condutor das falanges da desordem e ponderou:
- Se o problema é de reuniões, conseguiremos liquidá-los em três tempos. Buscaremos sugerir aos membros dessas instituições que o lugar dos conclaves é muito longe e que não lhes convém afrontar as surpresas desagradáveis da via pública. Faremos que o horário das reuniões coincida com o lançamento de filmes especiais ou com festividades domésticas de data fixa. Improvisaremos tentações determinadas para os companheiros que possuam maiores deveres e responsabilidades junto às assembleias, a fim de que os iniciantes não venham a perseverar no trabalho da própria elevação. Organizaremos dificuldades para as conduções e atrairemos visitas afetuosas que cheguem no momento exato da saída para os cultos espíritas-cristãos. Tumultuaremos o ambiente nos lares, escondendo chapéus e bolsas, carteiras e chaves para que os crentes se tomem de mau humor, desistindo do serviço espiritual e desacreditando a própria fé.
O soberano das trevas mostrou larga satisfação no semblante e ajuntou:
- Sim, isso é precioso trabalho de rotina que não podemos menosprezar. Entretanto, carecemos de recurso diferente...

5- O RESPONSÁVEL PELA DÚVIDA
O responsável pelas falanges da dúvida ergueu-se e disse:
- As reuniões referidas são sempre mais valiosas com o auxílio de médiuns competentes. Buscaremos desalentá-los, penetrando a onda mental em que se comunicam com os Benfeitores Celestes, fazendo-lhes crer que a palavra do Além resulta de um engano deles próprios, obrigando-os a se sentirem mentirosos, palhaços, embusteiros e mistificadores, sem qualquer confiança em si mesmos, para que as assembleias se vejam incapazes e desmoralizadas...
O mentor do recinto aprovou a alegação, mas considerou:
- Indiscutivelmente, o combate aos médiuns não pode esmorecer, entretanto, precisamos de providência mais viva, mais penetrante...

6- O ORIENTADOR DA PREGUIÇA
Foi então que o orientador das falanges da preguiça se levantou, tomou a palavra, e falou respeitoso:
- Ilustre chefe, creio que a melhor medida será recordar ao pensamento de todos os membros das agremiações espíritas que Deus existe, que Jesus é o Guia da Humanidade, que a alma é imortal, que a Justiça Divina é indefectível, que a reencarnação é uma verdade inconteste e que a oração é uma escada solar, reunindo a Terra ao Céu...
O soberano das sombras, porém, entre o espanto e a ira, cortou-lhe a palavra, exclamando:
- Onde pretendes chegar com semelhantes afirmações?
O comandante dos exércitos preguiçosos acrescentou, sem perturbar-se:
- Sim, diremos que o Espiritismo com Jesus, pedindo às almas encarnadas para que se regenerem, buscando o conhecimento superior e servindo à caridade, é, de fato, o roteiro da luz, mas que há tempo bastante para a redenção, que ninguém precisa incomodar-se, que as realizações edificantes não efetuadas numa existência podem ser atendidas em outras, que tudo deve permanecer agora como está no íntimo de cada criatura na carne para vermos como ficarão depois da morte, que a liberalidade do Senhor é incomensurável e que todos os serviços e reformas da consciência, marcados para hoje, podem ser transferidos para amanhã... Desse modo, tanto vale viverem no Espiritismo como fora dele, com fé ou sem fé, porque o salário de inutilidade será sempre o mesmo...
O rei das sombras sorriu, feliz e concordou:
-Oh! Até que enfim descobrimos a solução!...
De todos os lados ouviam-se risonhas exclamações:
- Bravos! Muito bem! Muito bem!
O argumento do astuto condutor das falanges da inércia havia vencido.

Contos e Apólogos, FEB, – Irmão X/Francisco Cândido Xavier
Distribuição: Centro Espírita “Aurélio Agostinho”, Uberaba, M.G.
18 de junho de 1920 – 18 de junho de 2018.

*Grifos do Blog.

Estudo sobre o Enfeitiçamento por RAMATÍS

Os objetos materiais utilizados para firmar a feitiçaria são apenas os "núcleos" de energia condensada ou congelada conforme conceituou Einstein, sobre a verdadeira natureza da matéria. Eis porque os feiticeiros não precisam arremessar objetos ou coisas materiais sobre as vítimas escolhidas para o enfeitiçamento. Eles dinamizam a energia ou o potencial elétrico contido na intimidade dos mesmos, produzindo as combinações fluídicas que depois se projetam funestamente através dos endereços vibratórios.

PERGUNTA: Que se deve entender por "endereços vibratórios"?
RAMATÍS: - O "endereço vibratório" é o objeto ou coisa pertencente à vítima, e que o feiticeiro depois ajusta ao seu trabalho catalisador de bruxaria. Serve de orientação para a carga maléfica tal qual os polícias fazem o cão de caça cheirar um lenço ou algo do fugitivo, do qual estão no encalço.
Assim, o maior êxito do feitiço fundamenta-se sobre a mesma lei de afinidade comum dos experimentos de física e química, a qual disciplina as relações e a propriedade dos corpos entre si. Ademais, as coisas impregnam-se das emanações dos seus possuidores, e por esse motivo podem servir de "endereço vibratório" para as operações de magia à distância, conforme é de uso e necessidade na bruxaria. Quanto aos efeitos mortificantes que atuam sobre as vítimas enfeitiçadas, os feiticeiros os conseguem através da "projeção" de fluidos agressivos e enfermiços, que desdobram nos campos eletrônicos dos objetos preparados sob o ritual de abaixamento vibratório.

PERGUNTA: Mas o que significa, realmente, o vocábulo feitiço?
RAMATÍS: - Feitiço, sortilégio, bruxaria e enfeitiçamento significam operação de "magia negra" destinada a prejudicar alguém. Antigamente, a palavra feitiço ou sortilégio expressava tão-somente a operação de encantamento, ou no sentido benéfico de "acumular forças" em objetos, aves e animais e seres humanos. Daí o feitiço significar, outrora, a confecção de amuletos, talismãs, escapulários e orações de "corpo fechado", cuja finalidade precípua era proteger o indivíduo.
O encantamento ou enfeitiçamento de objetos ou seres sempre implicava na presença de um mago, porque era um processo vinculado à velha magia. Mas em face de sua proverbial subversão e incitado pelo instinto animal inferior, o homem logo percebeu nessa acumulação de forças e dinamização do éter físico de objetos ou seres vivos, um ótimo ensejo para tirar o melhor proveito a seu favor. Logo surgiram os filtros mágicos e as beberagens misteriosas, para favorecer amores e casamentos, enquanto se faziam amuletos com irradiações nocivas, com finalidades vingativas. A palavra feitiço, que definia a arte de "encantar" a serviço do bem, então passou a indicar um processo destrutivo ou de magia negra!

TRECHOS DO LIVRO MAGIA DE REDENÇÃO, psicografado por Ramatís/Hercílio Maes.
*Grifos do Blog.