segunda-feira, 2 de abril de 2018

A manifestação de Deus


“Tende em mente que todos os deuses dos homens são aspectos peculiares da manifestação de uma divindade maior, um Deus único, onipresente e imanente. Esse Deus, por sua imanência, pode ser adorado em quaisquer formas, que assim se “exteriorizará” ao crente por sua fé, pois em tudo está, tudo é e tudo será por todo o sempre. Quando os homens entenderem que as formas são meros pontos de apoio às suas agitadas mentes para chegarem próximo à essência do Criador, amainarão as guerras e os sectarismos religiosos.” 

RAMATÍS, NO LIVRO JARDIM DOS ORIXÁS, PSICOGRAFADO POR NORBERTO PEIXOTO. EDITORA DO CONHECIMENTO.

domingo, 1 de abril de 2018

A importância do corpo físico e do corpo etérico


- Notamos que há uma grande valorização do poder e da força mental nas lides apométricas. Às vezes, parece-nos que os corpos físicos e etéricos são dispensáveis, diante das altas energias cósmicas que são invocadas de esferas superiores elevadíssimas, por alguns operadores dirigentes. Afinal, qual a finalidade desses corpos na Apometria?

Ramatís: - O corpo físico é um depósito de energia animalizada indispensável aos trabalhos socorristas conduzidos pelos espíritos do “lado de cá”.
Se a dinâmica apométrica fosse só de altas energias cósmicas, provindas de esferas superiores elevadíssimas, não precisaríamos, nessas lides, dos encarnados, normalmente desconcentrados, irrequietos, instáveis, irritadiços e impacientes. É ilusória a aparência que a maioria de vós assume nos dias do encontro semanal do grupo. Não bastam algumas poucas horas de aparência evangélica para se interiorizar verdadeiramente a convivência fraterna e crística.
O desprezo pelo corpo físico é um condicionamento milenar de certos cidadãos, como se o ascetismo vos purificasse para os contatos angélicos. Quantos saem dos atendimentos com o estômago apertado e doído de fome? Ou com os corpos cansados pelo dia extenuante, cheio de tarefas atrasadas? Não vos coloqueis como santos nas lides com o Além. Vossos corpos físicos e etéricos são potentes condensadores energéticos para as curas e o socorro. Por si, o poder mental dilatado dos encarnados se torna dispensável aos espíritos benfeitores do “lado de cá”, se dissociado ao magnetismo animal.
Lembrai-vos de que as zonas abissais e o Astral inferior estão repletos de individualidades de grande conhecimento e enormes capacidades mentais, mas incapazes de demonstrar um resquício de amor, por mais singelo que seja. As energias sublimadas das altas esferas se movem pelos sentimentos verdadeiros, e o amor é e continuará sendo o motor do combustível cósmico. O conhecimento sem sentimentos elevados movimenta facilmente as formas mentais pardacentas e pestilenciais próprias de corações áridos e exaltados pelos egos avantajados.

Livro Vozes de Aruanda. Norberto Peixoto. Ramatís, Editora do Conhecimento.
*Grifos do Blog.

O Sexo e o Médium - 2

Pergunta: - Poderíeis nos dizer se a libertação do sexo, na matéria, basta para elevar o espírito às esferas espirituais, isentando-o das reencarnações físicas?

Ramatís: - O sexo ainda é a última porta a fechar-se para o homem que procura libertar-se do ciclo doloroso das reencarnações físicas, o que só conseguirá, já o dissemos, quando se tornar casto, mas sem a preocupação doentia de ser casto. Isso será fruto natural do seu aprimoramento espiritual, em vez de forçada sufocação da chama interior, que persistirá latente sob as cinzas da vontade imposta draconianamente. A castidade forçada é o cérbero terrível que ainda mais excita o desejo insatisfeito e acicata a mente incontrolada. Somente compreendida como processo procriativo, e não como desejo reprimido, a contenção sexual beneficia o homem e principalmente o médium, extinguindo-lhe a ansiedade da relação física. O desejo lúbrico deverá desaparecer pela compreensão consciente de que o ato sexual, antes de ser uma ação prazenteira, é função biológica de reprodução na matéria.

Oxalá o médium bem intencionado já se dê por satisfeito com as suas relações conjugais, evitando as aventuras condenáveis fora do lar e as ligações deprimentes com o psiquismo torturado das infelizes mercadores da carne. Os prostíbulos, sob qualquer hipótese, são cisternas de fluidos intoxicantes, os quais aderem à tessitura delicada do períspirito, criando condições eletivas para atuar os obsessores e os vampiros egressos das sombras do astral inferior. O médium que se entrega às aventuras sexuais menos dignas transforma-se no traço de união entre o astral trevoso e o lar em que vive, carreando para este as emanações nocivas e as perturbações, que são fruto do seu mau comportamento sexual. Os miasmas, os bacilos e vírus psíquicos da degradação do sexo terminam por povoar-lhe o ambiente familiar, ali instalando-se a enfermidade, a angústia e a desarmonia que caracteriza as noitadas tristes e trágicas do ambiente de prostituição.

Mas é evidente que só a libertação do sexo, na matéria, não basta para elevar o espírito às esferas espirituais, caso ele ainda esteja algemado à crueldade, à vingança, à cupidez ou avareza, o que ainda o põe em sintonia com o astral inferior.

LIVRO: MEDIUNISMO. Psicografado por Hercílio Maes/Ramatís.

*Grifos do Blog

O Sexo e o Médium - 1


- Não nos cabe censurar o terrícola pela sua contradição sexual, pois isso ele o faz na tentativa de encontrar o “melhor” para si; e se ainda confunde o prazer do corpo efêmero com o prazer do espírito eterno, tornamos a repetir-vos: isso é devido à sua imaturidade espiritual. O corpo físico é o instrumento de que a alma se serve para lograr o seu aperfeiçoamento, assim como o aluno alfabetiza-se e adquire o conhecimento através do material escolar. Obviamente, se o homem aberra do uso do seu organismo carnal, que é o seu banco escolar educativo no mundo físico, não só se candidata às enfermidades comuns terrenas, como ainda impregna-se dos fluidos inferiores da animalidade, que o isolam cada vez mais da inspiração do Alto.


Principalmente o médium – que é a ponte sensível e o instrumento de relação entre a matéria e o Invisível, destinado a cumprir o serviço espiritual a favor do próximo e de si mesmo – precisa proteger-se da infiltração inferior e poupar o seu corpo físico para o êxito de sua tarefa incomum.

Todo gasto excessivo de forças sexuais destrói os elementos preciosos da vida psíquica, responsáveis pela ligação entre o mundo superior e a Terra, por cuja falta o homem é empurrado cada vez mais para o submundo do instinto animal inferior. Em sentido oposto, a economia e o controle das energias sexuais, quando disciplinadas pela mente, beneficiam extraordinariamente o médium. O fluido criador, quando acumulado sem a violência da contenção obrigatória, purifica-se pelo contato com as vibrações apuradas do espírito. Esse magnetismo vitalizante, poupado das glândulas sexuais, depois funde-se ao fluido superior emanado do “chacra” coronário, irriga o cérebro e clareia a mente, despertando a função da glândula pineal à altura do “chacra” frontal e favorecendo a visão psíquica do mundo interior.

Os abusos da prática sexual enfraquecem o cérebro, pois tanto o homem como a mulher exteriorizam a parte positiva e negativa da força sexual, que os órgãos responsáveis usam para a procriação. A maior parte das criaturas ignora que certa porcentagem dessa força constrói e alimenta o cérebro, por cujo motivo o seu gasto excessivo pode afetar a memória e retardar o raciocínio, enquanto o bom uso purifica as emoções e os pensamentos. Certas criaturas que abusam de afrodisíacos para multiplicar a prática sexual, em geral terminam enfermiças, imbecilizadas e retardadas, apresentando as síndromes “parckisionianas”, devido ao esgotamento dos fluidos sexuais imprescindíveis à nutrição das células cerebrais.

Mas é necessário considerar que a castidade não pode ser fruto de uma reação exclusiva da mente, pois refreando as atividades do corpo, de modo algum o espírito consegue resolver um problema que só desaparece pela sua melhoria espiritual. Toda virtude deixa de ser virtude assim que a criatura delibera cultiva-la como algo que à parte de si mesma, e que ainda exige vigilância contínua para se manter constante. O homem que procura ser modesto e, para isso, vigia todos os seus atos, preocupado em não decepcionar o próximo, na verdade termina cultivando a vaidade de ser modesto! Da mesma forma, não vos tornareis castos porque cultiveis a castidade; mas isso o sereis quando, pela renovação íntima do vosso espirito, então fordes casto sem vos preocupardes em ser castos!

A contenção sexual forçada não passa de uma deliberação artificial e inútil, que acumula as energias procriativas mas não as extingue. E acumular não é libertação, mas apenas transferência obrigatória de ação, tal como sob a tranquilidade aparente da panela de pressão esconde-se o vapor perigoso do seu interior. Algumas criaturas que depois de certo tempo abandonam os conventos e as instituições onde se costuma sufocar o desejo sexual e anatematiza o mundo profano, por vezes tornam-se bem piores do que aquelas que não fazem restrições morais. Elas apenas se continham, impedidas nos seus desregramentos e deslizes então recalcados pelo preconceito do ambiente em que permaneciam. Mas, assim que romperam as amarras das convenções religiosas ou da moral compulsória, mergulharam violentamente na tempestade sensual, que já lhes rugia na intimidade descontrolada da alma.

LIVRO: MEDIUNISMO. Psicografado por Hercílio Maes/Ramatís.

*Grifos do Blog

Sexualidade e Identidade de Gênero

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- Considerando a imensa variedade de seres que para cá vieram no alvorecer da história da humanidade terrestre e a diversidade de seus respectivos mundos de origem, é interessante notar a forma como alguns dos seres miscigenados com sua humanidade procriam e vivem a sexualidade. Alguns têm características bem distintas da maneira como vocês se reproduzem, e são também diferentes também em relação a nosso mundo. Imagem que há planetas onde existem mais de 20 formas de sexo ou de praticar trocas energéticas de natureza sexual. A forma sexuada ou os gêneros conhecidos aqui na Terra de maneira nenhuma são absolutos, nem sequer para os seres que vivem do oxigênio, quanto mais para os demais seres, em sua imensa variedade cultural, genética ou sexual. Digo isso porque eu mesmo conheço mundos onde não há nenhuma necessidade de uma união tão íntima quanto na Terra, com penetração de auras e corpos, tampouco da troca de fluidos físicos para que haja fertilização. Para que certas espécies humanas procriem nessas civilizações distintas, nem sempre há necessidade de um ato puramente sexual, no formato como vocês concebem.

Mesmo havendo os gêneros masculinos e feminino em alguns planetas do universo, há uma variedade imensa de fatores ligados à sexualidade. Conheço planetas onde os seres se acasalam, porém o sexo nem sempre tem finalidade reprodutora, de perpetuação da espécie. Há mundos onde a união sexual se dá entre seres do mesmo gênero, ocorrendo sobretudo para que haja trocas energéticas de grande intensidade, visando reabastecer os envolvidos. Liberam-se energias densas, ao mesmo tempo transferidas de um para outro, pois se modificam ou se transmutam durante o ato sexual, evitando que cada qual se sobrecarregue desnecessariamente. Além disso, essas uniões, que podem ser consideradas antinaturais em tantas culturas ou subculturas de seu mundo, consumam-se em tais planetas como forma de vivenciar aquilo que vocês talvez denominassem amor, e que envolve trocas magnéticas, energéticas ou vibratórias de grande intensidade, mas igual polaridade.

Então, levando-se em conta as características desses seres que aqui chegaram no passado distante, o modo de vida que se vê em outras comunidades do espaço pode diferir do terreno, mas jamais ser classificado de antinatural, como o foi em seu mundo ao longo de alguns séculos e ainda é, em certos redutos e mesmo em sociedades inteiras. Trata-se de comportamentos perfeitamente naturais, como se pode ver, pois foram transmitidos às gerações futuras da sua civilização, embora considerados características de sua espécie, e não herança cultural e genética, legado desses povos do espaço.

Além dessas características concernentes ao sexo dos seres do espaço que para aqui foram trazidos nos processos migratórios entre mundos, outras foram igualmente incorporadas pelo povo e pela civilização terrena e hoje em dia estão presentes em diversas culturas do globo (...).

(LIVRO: OS GUARDIÕES. ÂNGELO INÁCIO/ROBSON PINHEIRO. PÁGS. 112 a 114. EDITORA CASA DOS ESPÍRITOS).

Manifestação dos Orixás - 2


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O atabaque tocava num ritmo especial enquanto alguém segurava um instrumento na mão direta, acompanhando o fenômeno, que se dava no meio do salão. Vi que uma luminosidade descia do alto, em meio a uma descarga elétrica que atingia em cheio o sistema nervoso da médium. Ela se remexia toda, num tipo especial de movimento, enquanto era envolvida por inteiro pela energia, que ao mesmo tempo penetrava nos centros de força, causando um afastamento abrupto do duplo etérico da mulher.

Pai João esclareceu:
- Reparem que não é um espírito incorporante que assume a médium, mas um tipo de energia que emana de algum lugar e é canalizada diretamente por ela. É algo muito diferente do costumeiro transe mediúnico, tanto na Umbanda quanto no Espiritismo. Aqui vemos uma força da natureza, algo que merecia toda a atenção dos pesquisadores do espírito, mas que infelizmente não encontra ressonância nos interesses daqueles que dizem conhecer profundamente a vida espiritual. O Orixá incorporante que vemos pode ser considerado o Orixá menor, enquanto a fonte de onde emana essa energia não humana, ou seja, não oriunda de um desencarnado, é o Orixá maior, que está em oposição vibracional a Exu, conforme expliquei. Trata-se de algo ainda incompreendido por nossos irmãos espíritas, uma força ainda não estudada pelos que afirmam conhecer a verdade espiritual. De todo modo, não é aqui que nos deteremos; devemos ir a outro aposento enquanto ocorrem aqui as manifestações dos Orixás sagrados do Candomblé.

Pai João nos conduziu a outro aposento enquanto deixávamos para trás o som dos atabaques, os cânticos dos fiéis e a dança contagiante das entidades, que uma a uma incorporavam em seus filhos.
Resultado de imagem para igba orixaAdentramos um cômodo onde vimos diversas peças de louça organizadas de maneira singular. Alguns pratinhos dentro de uma vasilha maior estavam dispostos em torno de um tipo de tigela, dentro da qual víamos uma pedra circundada por alguns símbolos estruturados em metal. Envolvendo tudo, uma espécie de colar de contas delicadas, além de outros, muitos outros recipientes semelhantes, todos delicadamente trabalhados e decorados.

- Resolvi trazer vocês aqui, meus filhos, apenas para mostrar os assentamentos dos Orixás e para fazer uma ponte com os assentamentos de Exu, o guardião dessa comunidade. Não nos demoraremos muito, pois o que nos interessa é perceber o significado e a forma como essa energia age, desde que estimulada por pessoas que sabem manipulá-la. Neste cômodo estão os chamados assentamentos de santo. Para vocês terem uma ideia do que veem – explicou, convidando-nos a observar mais os efeitos extrafísicos do que aquilo que pertencia ao mundo das formas –, estamos diante de um potente transformador energético, magnético e etérico. O chamado pai de santo ou zelador do orixá, conhecedor do processo mágico que envolve as manipulações etéricas, magnetizou estas pedras sagradas com a força do orixá; elas são guardadas neste ambiente considerado sagrado pelos adeptos do culto. É preciso entender que existem forças e processos vibracionais que, ainda hoje, permanecem ignorados pelos estudiosos do espiritualismo. Até porque a maneira como tais objetos são magnetizados é conhecida exclusivamente pelo zelador do orixá; trata-se de conhecimento repassado apenas por via oral, sendo proibido escrever qualquer dos segredos que envolve o processo iniciático e os rituais sagrados.

Miramos atentamente e vimos uma luz muito intensa emanar de cada recipiente que continha as pedras dos orixás. Pisávamos num santuário, um lugar sagrado, e nosso pensamento foi todo de reverência àquelas forças da natureza, que desconhecíamos por completo. Pai João queria que entendêssemos a fonte geradora da proteção espiritual daquele ambiente e dos fiéis ali reunidos. Dos objetos à nossa frente partia uma energia, rodopiando em diversas cores, subindo em direção ao infinito. Não conseguimos ver para onde ia, em que direção exata, pois o fluxo de energias subia sempre em espiral, movimentando-se com imenso magnetismo e sumindo muito acima da construção onde estávamos e onde ocorria o culto. Em meio aos raios, cores e vibrações, percebíamos vultos semelhantes à forma humana, porém mais refinados, adelgaçados, como que dançando ou movimentando-se, vestidos de fogo e outras manifestações da energia vibrada dos Orixás. Era algo que, particularmente, nunca havia visto. Creio mesmo que, além de Pai João, somente Jamar tinha conhecimento do que ali se passava. Watab, mantendo-se em respeitoso silêncio, olhava intensamente, aguçando suas percepções sobre o fenômeno que ocorria à nossa frente. [...]

- do livro OS GUARDIÕES, pelo Espírito ÂNGELO INÁCIO. Robson Pinheiro. Ed. Casa dos Espíritos.

*Grifos do Blog.

Exus e o Sacrifício de Animais


- Mas se aqui os adeptos do culto e os iniciados utilizam sangue e sacrifício de animais para evocar a força de Exu, então podemos dizer, sem sombra de dúvida, que tais entidades, sejam elementais ou espíritos que já viveram na Terra, nada têm a ver com nosso trabalho. Nós nunca, jamais compactuamos com esse tipo de prática!

- Pois é, meu filho. Mas é preciso analisar a questão mais profundamente antes de formar um juízo, sob pena de incorrermos numa simplificação. Imagine a hipótese de um alto oficial da polícia militar ou do exército que age em conformidade com a importância do posto que ocupa e da tarefa que lhe foi confiada. Contudo, a rede de manutenção da ordem pública é composta pelos mais diversos agente, e não só por esses oficiais. São muitas outras pessoas: desde os policiais de todos os níveis hierárquicos, do soldado mais raso ao tenente, até os seguranças privados, em seus variados estágios de capacitação – de vigilantes de lojas e eventos aos de bancos, grandes empresas e personalidades -, passando por todas as corporações paramilitares e não militares, como a polícia investigativa, as guardas municipais e metropolitanas, os agentes carcerários, etc. Enfim, trata-se de uma rede ampla e altamente capilarizada², cujos integrantes, em boa parte, trabalharão nas ruas, diretamente ligados ao público, e muitíssimas vezes em zonas onde existe grande corrupção, marginalidade e outros obstáculos ao trabalho que pretendem realizar os que representam a lei em instancias e níveis distintos.
Evidentemente, em alguma medida, elementos dessa hierarquia flertarão com o mundo que pretendem policiar. Agora, a pergunta que cabe é: pode nosso oficial hipotético abdicar da contribuição de elos dessa cadeia, condenando determinadas práticas sumariamente, em todas essas organizações? Aliás, ele nem sequer dispõe de autoridade para isso, pois nem todos esses elos se reportam a ele. Pode ele aplicar o mesmo critério com todos os integrantes dessa imensa rede de proteção e segurança, quando as atribuições e responsabilidades de cada um são de abrangência tão diversa? Determinadas práticas se tornam mais ou menos graves dependendo da representatividade daquele que os adota; não há dúvida. Mais do que isso: de um ponto de vista pragmático, pode ele abdicar da contribuição de alguma dessas categorias, em nome de qualquer conjunto de regras? Ou, quem sabe, declarar guerra a qualquer uma delas, empreendendo uma operação para separar o joio do trigo? Mas, nessa eventualidade, quem estabelecerá a comunicação com aquele mundo que determinados agentes conhecem tão bem, justamente porque guardam íntimas relações com ele? Não são respostas fáceis nem dilemas simples, mas se apresentam de maneira muito concreta para a administração que compete àquele oficial exercer.
Dito de outra maneira, mas reiterando meu argumento: pode o oficial suspender a colaboração desta ou daquela engrenagem, limitando-se a empregar apenas os elementos que considera ideais, acima de qualquer suspeita? (...)
Sendo assim, não será atitude mais inteligente da parte do oficial utilizar essa máquina em seu proveito, colimando os objetivos maiores, de que tem ciência, extraindo o melhor produto que ela pode fornecer? A meu ver, não se trata de leniência com práticas que se deseja coibir e que são próprias do mundo, mas sim, de aceitação da realidade e das limitações humanas.
(...) Reforça a reflexão que desejo provocar a realidade de que as armas e os métodos empregados pelo policial que faz rondas na rua são de uma natureza – aliás, depende bastante, até, da rua onde monta guarda – ao passo que os recursos e abordagens do detetive, no decurso de uma investigação, são de ordem completamente diferente. O mesmo paralelo se pode traçar entre um general das forças armadas, um oficial de alta patente e, de outro lado, o segurança privado que ata num estabelecimento comercial, por exemplo. E não me refiro a armas apenas no sentido bélico, é claro, mas às técnicas e à estratégia de que cada um lança mão ao enfrentar os desafios inerentes à função ou ao papel que desempenha.

(...) Determinados grupos de seres, mesmo trabalhando sob outro tipo de orientação e sem estarem sujeitos à coordenação dos guardiões ou ao sistema hierárquico dos comandos, que pauta nosso trabalho, podem – efetivamente, a despeito disso tudo – levar grande benefício às comunidades às quais se vinculam. Mesmo não sendo guardiões, no sentido que essa palavra adquire para nós na Aruanda e nas regiões superiores, inegavelmente prestam um serviço concreto e substancial aos seus tutelados.
Não se pode esquecer que muitos desses sentinelas ou espíritos protetores, assim como a maioria dos chamados mentores individuais, são simplesmente espíritos familiares, algo já elucidado por Allan Kardec na codificação espírita¹, mas que muita gente menospreza ou não avalia corretamente. Espíritos familiares muitas vezes são comprometidos com aquele pupilo em particular ou com o grupo a que se afeiçoam, mas isso não significa que detenham grande conhecimento ou sejam capazes de lidar com situações mais complexas. São apenas pessoas de boa vontade, que procuram fazer a sua parte que lhes cabe no âmbito de ação que alcançam: tão somente isso.

(...) Enquanto certas entidades que aqui militam não se apegam aos sacríficios nem ao sangue oferecido, vendo tal prática apenas como manifestação ritualística, e não como fruto da necessidade de quaisquer espíritos, há muitos casos de espíritos dependentes de bebidas como cachaça, cerveja, uísque, vodca ou espumante. Permanecem ligados a elas, em sintonia com a vontade de médiuns e dirigentes que ainda não souberam migrar ou elevar a frequência de suas atividades anímico-mediúnicas. Alguns seres há que são mantidos dependentes do plasma sanguíneo e de rituais exóticos, enquanto outros, ainda, consorciam-se com marginais do astral, espíritos trevosos e malfeitores, em troca do plasma que seus protegidos oferecem.
(...) Por trás de tudo, existe a intenção, e é isso o que define, muito mais do que a prática em si, de que lado estão tanto espíritos quanto seus aliados no plano físico. (...) Encontraremos muita gente de boa intenção e muitos espíritos também de boa vontade, em todo lugar onde militarmos. Muitos erram não porque querem errar, mas porque não sabem fazer diferente; porque sua cultura os ensinou assim. Outros, porque, quando lhes foi dada a oportunidade de conhecer algo diferente, quem fez a oferta não soube apresenta-la de forma respeitosa, segura e clara. Então, meus filhos, olhemos esses nossos irmãos aqui ou onde formos como pessoas tentando acertar, segundo sua crença, seu grau de conhecimento e a especialidade que cada um desempenha, em cujo trabalho a Providência Divina chamou cada qual a colaborar.

- PAI JOÃO DE ARUANDA (JOÃO COBÚ)

(Livro: Os Guardiões. Ângelo Inácio/Robson Pinheiro. Ed. Casa dos Espíritos)
(¹) O LIVRO DOS ESPÍRITOS, itens 488, 509 e 514.
(²) Distribuído, espalhado como fios de cabelo,

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